quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Meus sonetos

Escrevo sonetos quando minhas lágrimas
São poucas, cambem em versos curtos
Quando a saudade declama versos mudos
Quando o tempo e meu sentir se fazem surdos

Escrevo sonetos quando a dor brinca comigo
Quando finge que é de tristeza, mas é saudade
Vem sozinha, cambaleando em passos bêbados,
Se fazendo dor de chorar, mas... é só arremedo

Meus sonetos, alguns inacabados por falta de mim
Outros, por vezes, nas entrelinhas gritam tristes
Coisas que, nem sei porque, ainda em mim existe

Mas se são poucas lágrima ou se a dor é menor
Se cabem dentro de um soneto que se escreve
Ele que se faça assim, livre, solto e leve.

José João
15/11/2.017



Noite

À noite, sob os acordes de uma canção silenciosa
E triste que a saudade canta dentro do peito,
As lágrimas, tal pingos de luar, brilham no rosto
Como divinos versos que a alma declama 
Em plena solidão, como se esta fosse o palco,
A inspiração e a ouvinte. O luar se derrama,
Carinhoso, sobre a relva, o vento brinca
De fazer dueto com o farfalhar das folhas,
A saudade se faz maior, traz uma ausência
Que sufoca, apesar do carinho da noite
Em trazer sonhos antigos e fazer sonhar
Sonhos novos. Me perco num devanear
Choroso, as vezes cheio de saudade de mim,
Outras vezes em sorrisos tímidos lembrando
O que já vivi e senti. Um raio de luar,
Passando por entre as folhas das árvores
Se chega perto de mim, e fica em silêncio,
Deitado comodamente me convidando
Para contar estrelas, levanto os olhos
E... lá longe, lá no alto, uma estrela cadente
Passa risonha querendo levar meus pedidos,
Mas só lhe contei meus segredos. Ah! Noite!
Sempre se fazendo espaço para a solidão
De cada um

José João
15/11/2.017
     

sábado, 11 de novembro de 2017

Coisas nossas que o por do sol nos conta.

Gosto muito de ver o alarde silencioso 
Do por do sol, de ver a efusiva melancolia
Das nuvens pintadas em cores mágicas
Por não existir tinta que possa imita-las.
Gosto de ver o sol brincando de brincar,
Sozinho,  lá no alto, com a solidão que,
Por milagre, não se faz dor, embora os olhos
Se umedeçam, tanto a nostalgia da hora
E de uma saudade que vem e não se sabe
De onde. Nessa hora, quando tudo
Parece divino, as lembranças vêm...
Algumas risonhas, outras arredias,
Sem querer chegar, para que lágrimas
Tristes não estraguem o momento...
Gosto de sentar na beira do tempo
Quando o dia, sonolento, se espreguiça
E um bocejar com jeito de brisa
Se estende sobre as horas, que lentas,
Parecem pedaços de versos invisíveis,
Contando segredos da gente pra...
Gente mesmo.

José João
11/11/2.017


Eu... me levando por aí.

Hoje saí por aí, procurando olhares
Que não me olham, tentando ouvir
Palavras que ninguém nunca me diz,
Saí tentando encontrar sorrisos
Que ninguém nunca me dá, até mesmo
Restos de sorrisos me serviriam...
Pedaços de sorrisos que ninguém quis,
Mesmo sorrisos falsos, ah! Quem dera!
Saí hoje por aí, passos pesados, trôpegos,
Tropeçando nos pedaços de sonhos
Que caim como caem as flores murchas,
Chorei entre tantos e... ninguém viu,
Sussurrava meu nome baixinho, 
Com medo de me esquecer de mim.
E andava, e ia, sem saber onde ir,
Apenas ia, outras vezes voltava...
Me perdia entre a multidão vazia...
Os sorrisos, se é que eram sorrisos...
Nenhum era pra mim, e assim fiquei
Fitando o vazio que a solidão trazia.

José João
11/11/2.017

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