sábado, 27 de agosto de 2016

Um museu de solidão

Há quem fale em solidão, como se ela fosse
Apenas solidão. Ah! Se soubessem como sei...
Suas tantas faces, suas tantas maneiras de chegar,
De ser, de ficar. Até mesmo de fingir, sim, a solidão
Finge, é como se fosse uma atriz, as vezes bela,
Até alegre, dadivosa, outras... sufoca, quase mata.
Ah! Se soubessem de solidão como eu sei!
Por exemplo, aquela solidão que fica depois de um adeus,
E finge-se dar um tempo, mas na verdade,
Ela, a solidão, é o medo de se sofrer outra vez.
Aquela, quando o adeus é tão pouco, que no momento
Se faz solidão, mas só até o amanhã ou até outro olhar 
Que faça o ontem ser apenas uma lembrança.
Ah! Mas que dolorosa solidão! Malvada e vilã,
É aquela que nos toma mesmo dentro da multidão
Onde o silêncio na alma grita mais que qualquer voz,
Onde tudo e nada se confundem, em ir ou ficar.
Onde até a alma se perde dentro de infinda tristeza.
Mas tenho minha solidão preferida, terna solidão,
É aquela em que escolho estar, minha, só minha...
Tão prazerosa como fosse um ópio divino...
Me fazendo sonhar, sonhos que a vida não tem.
Só tem uma solidão que tenho medo, é aquela
Que não sei se saberia sentir.
Ah! Se soubessem de solidão como eu sei!!!

José João
20/08/2.016



quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Nem parecia um dia

Hoje o dia se fez ridículo, parado, cheio de vazios,
Um pedaço de tempo sem forma, sem cor, 
Perdido entre horas que passavam sem querer passar,
Se arrastavam preguiçosas, zombando de todas
As dores, saudades, gritando num silencioso gritar
Cantos de tristeza que eu nem queria ouvir.
Nem parecia ser dia, parecia pedaços esquisitos
De horas quebradas, tortas, rotas, compridas, mortas,
Me perdi dentro delas, corri gritando blasfêmias,
Até o eco dos meus gritos caiam em estapafúrdio cair,
Ensopados, pesados pelo peso do pecado de blasfemar.
As palavras se desencontravam no clamor de pedir,
E o dia, que pra mim nem era dia, zombava rindo,
Fazendo de cada hora um gargalhar tirano, irônico.,.
Debochado e irreverente, alheio a angustia que a alma
Chorava sozinha entre as lembranças e sonhos 
Que lentamente iam se desvanecendo, se fazendo nada...
Mas provocando as lágrimas para chorarem essa dor.
E o dia, que pra mim nem era dia, num mórbido cio
Com a solidão, paria horas ainda mais tristes,
Mais preguiçosas que se arrastavam como lentas
Procissões sem querer fazer o amanhã chegar.


José João
24/08/2.016

terça-feira, 23 de agosto de 2016

É só o que sei fazer ... amar

Amo, apenas porque é o melhor que sei fazer,
Sei amar antes e depois de amar, parece loucura!
Sei te amar sem te conhecer e sei sentir tua saudade
Antes que me digas adeus, porque é só o que sei...
Amar. Sei amar desde a vontade de te conhecer,
Amar teu nome sem nem saber quem és,
Desde agora, chorar essa saudade dos amanhãs
Enquanto não vens. É só o que sei... amar.
Te espero sonhando sonhos que amo sonhar,
Porque neles te amo, tanto que o prazer de te esperar
Me faz sentir o coração bater mais forte e a alma
Cantar Ave Marias imitando a voz dos anjos.
Amo porque é só o que sei fazer... amar
Amo te esperar, sentado no meio da tarde,
Com os olhos olhando pra lugar nenhum,
Com o olhar perdido entre os tantos silenciosos
Caminhos que minha mente cria, apenas e apenas
Por amar. Te confesso meus segredos, todos eles,
Nas verdade, meus segredos de nós dois...
Amo  amar, esse amor que se chora sozinho,
Sem se ser triste, amo, até a inquietude
De te esperar...é só o que sei fazer... amar.

José João
23/08/2.016


...e se não existissem lágrimas!!

É ... e se não existissem lágrimas!? Como viveria?
Como minha alma gritaria com meus olhos?
Como os versos de saudade se escreveriam
Em meu rosto? Se não existissem lágrimas!
Como eu poderia rezar, em divino silêncio, 
Orações saídas de dentro de mim como fossem
Meus pedaços pedindo clemência ao tempo?
Lágrimas! Pedaços completos de mim...
Serenas, brilhantes, inocentes, puras e livres...
Se não existissem lágrimas... eu as criaria,
Teceria pedaços do por do sol, o mais lindo,
Em pequenas contas coloridas, cor de saudade,
Misturava, nas mãos do tempo, com o orvalho
Do alvor do dia quando se prendem nas pétalas,
No lindo e preguiçoso despertar das flores,
Subiria na mais alta montanha ... a mais alta,
Aquela que mais  chegasse perto de Deus,
Poria aos seus pés e diria: Eis aí Senhor...
Eis aí do que precisas para fazer lágrimas...
Mas elas existem, não sei como foram feitas...
Mas se fizeram tão minhas que, acho até,
Deus me deu de presente ... todas elas.

José João
23/08/2.016


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