sábado, 24 de junho de 2017

Perdoa se fui tão pouco.

Perdoa se não soube te amar, me entregar mais.
Perdoa, mas foi tudo que pude fazer... tudo...
Se achaste pouco, que seja eu a sentir essa angustia,
Que me doa na alma ter sido tão pequeno, mas te amei,
Te amei como se fosses a própria vida a fazer-me
Flutuar entre os momentos, todos teus, sem reservas.
Perdoa, se me fiz tão pouco mas dentro de minha alma
Só tu existias, todos os meus pensamentos eram teus.
Perdoa se minhas palavas, abraços, beijos e carinhos
Não traduziram meus sentimentos ou, talvez...
Não os tivesses percebido, mas eram todos teus...
Sozinho, rezava orações com teu nome, meus olhos
Desaprenderam a ver tudo que não fosse tu...
Respirava o teu ar, sorria teus sorrisos e até...
Sonhava teus sonhos, nunca fui além de ser
Todo, pleno e totalmente teu. Não percebeste...
As vezes somos tão pouco que o tudo que se dá
Não é percebido. Que pena não teres visto
Meus olhos gritarem mais que as palavras
Quando, em lágrimas alegres, diziam te amo
Com a ternura que minha alma te olhava.
Perdoa, pelo tanto ter sido tão pouco, Perdoa.

José João
24/06/2.017


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Gritos que a alma não ousa gritar.

A saudade, corria na noite, alucinada, louca,
Tentando encontrar sonhos disponíveis
Que trouxessem pedaços vividos dos tantos
Ontens que se fizeram viver, se fizeram poesia,
Os tantos momentos que se fizeram de sempre
Mesmo que agora se pareçam poesias inacabadas.
A noite, não sei se por maldade, se arrasta lenta
Sem nenhuma pressa de passar, sem quer ir-se,
A solidão, cor de treva, de gosto amargo,
Num escuro sem brilho, com um olhar demente
Desnuda a alma cabisbaixa, carente, ajoelhada
Em contrita oração pedindo baixinho que ela,
A solidão, não doa tanto. E a noite, sem
Nenhum alvor, se deixa ficar vazia e...
O escuro vazio da solidão grita em mórbido
Silêncio que não é preciso ser feliz para viver.
Mas a saudade, sempre prestimosa, fica ali,
Parada no pensamento, fazendo o coração
Bater mais forte e a alma fingir sorrisos,
Cheios de lágrimas que sofrem nos olhos
Como se fossem gritos que ela não ousa gritar.

José João
22/06/2.017

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Talvez... brincar de ser feliz.

Hoje quero gritar, correr entre quintais,
Correr no tempo sem ter onde ir, mas ir...
Correndo por caminhos sem rumo, por veredas,
Descobrir horizontes, ouvir o eco de minha voz,
Mesmo sem saber o que digo, quero apenas gritar.
Não é raiva, talvez seja um descabida angustia,
Talvez buscando uma saudade que não senti ainda,
Um sonho que ainda não sonhei. Procurar sorrisos
Que ainda não foram dados, palavras não ditas,
Escrever poesias no chão, conversar com o tempo,
Ouvir a brisa de um lugar onde nunca fui,
Hoje quero fazer diferente, até gritar, te amo,
Mesmo sem ninguém ouvir. Não importa.
Quero ver outros mares, andar na multidão
Cheia de palavras diferentes, sem sentido,
Não sei se é loucura, se é solidão, se é medo,
Ou se é essa vontade de viver, de amar, não sei.
Mas hoje quero gritar, correr, até brincar...
Brincar de ser feliz, é isso,. Brincar de ser feliz.


José João
21/06/2.017


Quantas vezes já te esqueci!

Quantas vezes, te juro, já te esqueci!
Mas sempre voltas, viva e mais forte
A atirar-me nos momentos que vivi
A fazer-me chorar por tudo que já senti

Te esqueci ontem quando chorei sozinho
Te esqueci a noite, dormi sem te lembrar
Esqueci palavras, detalhes, esqueci carinhos
Até vires, sorrateira, dentro de um sonhar

Até a saudade, que também quis esquecer
Te traz sem que eu queira, sem eu pedir
As vezes, com raiva, finjo que te esqueci

Mas a bem da verdade, finjo quando minto
Quando juro te esquecer, a saudade sorri
E faz de sempre essa loucura que sinto.


José João
21/06/2.017

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