sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Nem sempre chorar é mesmo chorar

As vezes chorar é preciso. Nem só por tristeza
Se chora, as vezes nem é saudade, nem angustia,
É coisa da alma, quando mesmo sem saber porque,
Se derrama em prantos descabidos, por uma razão
Que não se explica, apenas acontece... e prantos.
Não sei se é carência, mas as vezes um olhar,
Um sorriso, toca tão fundo na alma que as lágrimas
Fazem festa nos olhos, correndo luzidias no rosto
Sem nenhuma tristeza, nenhuma saudade pra chorar.
As vezes essa vontade me toma e me entrego todo,
Quando estou sentado na porta do tempo 
Sem nada pra fazer, nem pensar, olhando sem ver
A imensidão dos caminhos, dos horizontes...
Ouvindo atento o silêncio, enganando a solidão,
Pensamentos e sonhos se confundem, voam,
Mas sem tristezas, sem saudades e... sem motivo
As lágrimas veem de mansinho, sem pressa,
Como se estivessem curiosas, ou cheias da vontade
De dividirem comigo o que apenas a alma vê.
As vezes eu acho que chorar não é chorar ...é orar.

José João
23/09/2.016

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Eu, o artesão de mim.

Junto meus pedaços em versos nas poesias, 
As vezes tristes. as vezes inacabadas... 
Quando a dor é muito maior que a saudade
As palavras se fazem poucas, e a poesia...
Se perde dentro do meu silêncio.
As palavras são fragmentos de mim
Que junto em cada verso, como faz a artesã
"Colando cacos" e inventando flores...
Se entrega aos detalhes, como se cada pedaço
Fosse um pedaço da própria alma, assim ...
Como se fazem as poesias, repletas
Do que a alma sente. Sou o artesão de mim.
Enquanto a artesã cola pedras, azulejos e vidros,
(mesmo talvez colando com prantos)
Eu colo, nas poesias, lágrimas, saudades,
As vezes solidão, versos sem sentido,
Prantos que choro por adeus que nunca esqueci.
Minhas poesias são os muitos pedaços de mim
Que por mais que junte, sempre haverão mais
Para juntar, colar e ... continuar incompleto

José João
22/09/2.016


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Só preciso que não vás

Todas as noites durmo abraçado com tua saudade,
Que me envolve doce e ternamente e me permite
Que os mais belos sonhos de nós dois sejam sonhados.
Me atento a ouvir, no silêncio sombrio da noite,
Minha alma, ainda te confessando esse amar eterno,
As lágrimas, como fossem sutis sorrisos dos olhos,
Te buscam na penumbra do tempo, te trazem toda
Em momentos que ficaram vivos dentro de mim.
Me entrego ao prazer de murmurar teu nome,
Num soletrar carinhoso, sonolento e sem pressa, 
Que até me faz crer que me ouves e me entrego,
Num delírio incontido de ainda te sentir minha.
Tua presença, dentro dessa saudade viva, é tanta
Que te sinto, parece loucura, mas... juro, é você.
Fico imóvel, sem quase respirar, para não espantar
O que não sei... se é pensamento ou um sonhar,
Mas não importa, só preciso que não vás, que fiques
Dentro dessa saudade que aprendi a viver.

José João
21/09/2.016


domingo, 18 de setembro de 2016

Talvez ... até além de sempre.

Quando a dor da tristeza é maior que o tempo,
Não há caminhos nem distâncias, Ir, ou ficar
É o mesmo que nada ser. As lembranças
Ficam vivas, até as palavras um dia ditas,
Que deveriam perder-se no esquecimento
Por serem apenas palavras, se fazem mais,
Por vezes se fazem gritos, outras, gemidos,
Onde a alma em doloroso chorar se perde toda.
Detalhes se fazem histórias e até lágrimas.
Se fazem sonhos que nem sonhados foram.
Tento encontrar caminhos por onde não passei,
Horizontes que nunca vi. Ouço a alma pedindo,
Em orações vãs, que fuja do que ainda sou.
Como fugir de mim se a dor que senti ontem
Será a mesma dor que vou sentir sempre?!
Porque para sempre será também a saudade.
Um dia me esqueci de mim... pra te viver.
Talvez, até mesmo além de sempre...


José João
18/09/2.016


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...