sábado, 23 de setembro de 2017

A magia dos sonetos

Que santificada magia tem os sonetos?
Contam vidas inteiras em pucos linhas
Fazem amores e tristezas pares perfeitos
Até fazem que outras dores sejam minhas!!

Tão mágico são, que neles cabem saudades,
Cabem espinhos e flores no mesmo verso,
Cabem sonhos, mentiras se fazem verdades
Onde nem a dor pari sentimento tão perverso

Sempre brincam de brincar com os momentos
Buscam sonhos e pensamentos tão distantes
Que faz ser saudade o que antes eram tormentos

Que magia santificada é a magia dos sonetos!!
Tão pequenos que, olha, cabem na palma da mão
Mas tão grandes que fazem de mundo um coração


José João
23/09/2.017


Meu mais perfeito alento

Se essa saudade se fizer de sempre, te juro
Que em mim a farei divina, eterna e tanto
Que me farei, lavado em lágrimas, tão puro
Para te rezar anjo mulher de infindo encanto

Te rezarei em orações na mais perfeita prece,
Tua imagem, em mim será perfeito templo
Serás a mais perfeita dadiva que a vida oferece
E gritarei aos anjos que deles és o exemplo

De braços abertos em clamor vindo da alma
Aos céus peço que nunca faça ir essa saudade
Que se faça, pra sempre, vida e perene verdade

E dentro dessa saudade do tamanho do tempo
Te amarei como se nada mais fosse preciso
E serás com ela o meu mais perfeito alento.


José João
23/09/2.017


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Eternamente saudade

Ah! Esse movimento inconstante da vida!
As vezes traz tristezas, outras vezes, sonhos...
Mas quase sempre traz saudades, 
Algumas risonhas, outras em lágrimas, 
Mas sempre traz e ... onde se estiver.
Algumas vezes,  palavras ditas não sei por quem,
Apenas ouvidas no que seria um simples ouvir
Te trazem tão intensamente, que vens com prantos,
Com dor, com a imensidão da falta de ti,
Tão grande que me faz o menor de mim. 
As vezes, sem que eu peça, tu me vens, lentamente,
E vai chegando.... e vai crescendo, me tomando,
Me invadindo, tanto que te apossas de mim
Como se minha alma vivesse por nós dois,
Aí não sinto dor, nem tristeza, apenas sinto
Nossas vidas pulsando dentro dessa saudade
Que se fosse sempre assim, doce, sem dor,
Sem angustias, pediria em orações
Para que fosse eternamente saudade.


José João
21/09/2.017

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

... pago com lágrimas...

Ah! Essas mágoas que tanto me afligem agora!
Quem me dera voltasse a paz de tempos idos!
Em que tudo era alegria ser feliz não tinha hora
Não havia tristeza, não havia sonhos perdidos

Livre a envolver-me em saudades passageiras
Brincando de escrever versos em rimas soltas
Sabendo que das saudades não havia derradeira
Com todas elas brincava dizendo ser a primeira

Que belos tempos! Há muito perdidos de mim!
Hoje caminho só, tropeçando em passos lentos
Cantando cantigas rotas que me servem de alento

Se hoje choro sozinho o vazio das ilusões perdidas
Foi minha culpa, brincava fingido, dizendo amar
Portanto, só lágrimas para redimir esse meu pecar


José João
20/09/2.017


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Brincando de solidão.

Não que não queira ouvir o que me dizem
Mas sempre repetem: Porque és tão sozinho?!
Mas como sozinho? Me pergunto em silêncio.
Pra que serve a solidão? Não é para dar carinho?

A mim ela me ouve como se fosse toda minha
Se entrega por horas sem lugar, sem escolher
Não sei de nós dois, um ao outro quem busca
Só sei que, paciente, me escuta até o alvorecer

Me faz que eu seja história, até me faz sonhar
Me deixa livre no tempo pra eu ir me buscar
E se venho com lágrimas, ela me ajuda chorar

Não sei porque dizem que sou tão sozinho!!
Até firmam, que esse vazio me toma de mim
Mas a solidão... comigo brinca de ser carinho 


José João
11/09/2.017


domingo, 10 de setembro de 2017

Para te amar...

Para te amar, não me bastam todos os dias,
E, até te juro, talvez uma vida seja pouco.
Para te amar me fiz alma, pura e ingenua 
Me fiz tempo, me fiz homem, me fiz louco

Para te amar, fiz da eternidade do tempo
Meu abrigo, Te fiz meus sonhos divinos
Busquei nos teus olhos a beleza de viver,
Te fiz anjo pra poder te louvar em hinos

Para te amar, te fiz toda minha verdade
Te escrevi em poesias, orações e ladainhas
E pedi aos céus que fosses minha saudade

Não essa saudade que todos dizem sentir
Essa minha vem da alma, vem aos prantos,
Viva, como se ontem ainda estivesses aqui.


José João
10/09/2.017


sábado, 9 de setembro de 2017

Costurando retalhos de mim

Ah! Essa tanta dor que minha alma chora!
Essa tua ausência que me divide em pedaços
E, de mim, faz meu próprio resto, perdido
Dentro de uma solidão que, talvez por pena,
Se desmancha com meus prantos e vai...vai
Com eles buscar uma saudade que alivie a dor.
Me perco no escrever versos que não vêm,
Risco palavras, apago pensamentos, paro,
Olho para o tempo e nada, nenhum pensar,
Nem sonhos. Costuro retalhos de mim
Para completar uma história...mas só vazios,
Reticências mudas, murmúrios incoerentes
Que se vão soltos como se fossem orações
Que não sei rezar, mas vão como eco
Do silêncio e se perdem no tempo ou...
Até mesmo dentro de mim. Alinhavo versos
Com entrelinhas mudas misturadas com rimas
Rotas, em frangalhos, assim como estou.


José João
09/09/2.017


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Eu, o passageiro

Lá, bem longe, onde o olhar quase não chega,
Lá, onde os olhos acham ser o fim do mar,
Desliza um batel ligeiro levado pelo vento,
Indo sem rumo, sem porto para ancorar,
Mas vai, sem paradas, volteando por entre ondas
Cantantes, cantando uma canção que ninguém
Sabe os acordes. Dentro dele, do batel ligeiro,
Mesmo tão longe, ponho meus pensamentos,
Ilusões e assim me faço dele um passageiro...
E vou. deixo que me leve, sinto e até ouço
A  brisa murmurando poesias que só sei ouvir
E, calado, me ponho a sonhar com horizontes
Que nunca vi, que nem sei se existem...
E dentro do batel ligeiro, sonhando sonhos
Cheios de vontades, escuto alguém dizendo:
Te amo. De repente acordo e nada vejo...
É a ilusão, enganando a mim e minha alma...
Na verdade estou só, foi apenas um sonho...
Que me deixou ainda mais vazio.


José João
07/09/2.017


Por força do silêncio

Silêncio! Tão intenso que se faz denso,
Mórbido, tanto que parece engolir
O tempo com avidez, enche a casa de vazios,
De angustias, de ausências que até a saudade,
Vindo de longe, se recusa chegar, fica na soleira,
Espiando assustada, com medo de entrar,
Os pensamentos se atropelam num tormentoso ir,
O sonhos fogem correndo em histérica algazarra
Como se nenhum quisesse ficar por último
E fazer-se vítima de um mero esquecer
Que a solidão, em prodigioso existir, faz de sonhos,
Vontades, até momentos vividos, apenas pedaços
De vida completos de tristezas, dessas que o silêncio,
Até mesmo dentro da alma, onde o vazio
É preenchido pela dor de um adeus 
Fará sempre dor... jamais chegará a ser saudade.
Tudo se faz lágrimas, até os momentos,
Que antes se enfeitavam de risos, hoje, coitados,
Se prendem no tempo como pequenos detalhes
Que nem de lembranças de fazem mais.

José João
07/08/2.017


sábado, 2 de setembro de 2017

Hoje não era dia de poesia

Estou tão vazio de mim que até a poesia
Se esconde onde nem meus sonhos podem busca-la.
Ficam arredias, fogem, me deixam só, sem razão,
Sem vontade, e nesse desesperado silêncio, 
Que o vazio de mim impõe á minha alma, me perco.
Silenciosas lágrimas fazem meus olhos brilharem,
Sussurros moribundos num reticente nada dizer
Insistem em vã tentativa de, coitados, se fazerem voz.
Olho em volta  procuro por veredas, caminhos 
Que me levem ao horizonte, lá, bem distante,
Onde quem sabe, uma poesia esperando por mim
Esteja pronta para me fazer gritar nos versos
E nas entrelinhas, mesmo em rimas soltas e tortas 
Que uma poesia se fez minha, poesias são como anjos,
Volteiam por aí até encontrarem seu poeta e a ele
Se entregam toda, cativas, falando de saudades,
De tristezas, mas hoje nenhuma poesia 
Quis ser minha. Hoje só me foi permitido chorar...

José João
02/08/2.017

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Só um coisa me importa

Que se faça a tristeza perene grito da alma,
A mim rsrsts não importa e nem reclamo
Que não me seja na vida permitido sorrir
rsrsr a mim não importa assim mesmo vivi

Que a solidão me cerque entre os vazios
E do tudo que senti faça uma história morta,
Pode a angustia se parir em mórbidos cios
Zombo do tempo e lhe pergunto: que importa?

Se lágrimas tristes brincarem em meu rosto
Algumas até gritando o desespero da alma
Haverá que quem diga com tudo isso posto

Que sou louco, até dizem, coitado de mim
Mas na verdade só uma coisa me importa
Essa saudade tua que me faz vivo e conforta

José João
29/08/2.018

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Essa tanta saudade tua!

As vezes me pergunto o que seria de mim 
Sem essa saudade tua! Nunca me deixaste,
Tento fugir de mim, para fugir de nós,
Procuro outros momentos, fitar outros olhos,
Mas dentro deles tu estás e até vejo teu sorriso.
Vivo a ilusão de que ainda estás aqui, perto de mim.
Saudades e magoas são divididas com a alma
Numa estranha maneira de ainda te amar, 
É como se o tempo tivesse dividido contigo
Minha existência, não passa, sem que nele
Não estejas a cada momento. As vezes sorrio,
Outras vezes choro, chego a fingir que estás perto,
Minhas lágrimas, num silencioso cantar triste,
(Só a alma escuta o canto de minhas lágrimas)
Cantam teu nome nome num suave murmurar 
Em que chorar é o mesmo que dizer: te amo.
Essa saudade, essa tanta saudade que vai
Até muito além de mim, é como se fosse
Preciso para que esse meu sentir se fizesse 
Perfeito, para sempre, como só a saudade
Sabe fazer.

José João
28/08/2.018

sábado, 26 de agosto de 2017

Se pelo menos soubesse onde estás...

De joelhos, em orações gritadas pela alma
Que se contorce em angustia por esperar tanto,
Em solene contrição pergunto, com voz reticente,
Onde estás? Te procurei por toda uma vida,
Já é mais de meio dia, já é quase bem tarde
E ainda não te encontrei, te mandei poesias,
Como se fossem recados que minha vida manda
Dizendo que não tem sentido essa tanta espera.
Te procurei por caminhos que nem sabia percorrer,
Como louco, busquei o reflexo de teus olhos
Nas estrelas, pedi silêncio ao tempo pra te ouvir,
Ouvir tua voz, Te mandei recados cheios de mim
Nas lágrimas que deixei cair no mar em inocente
Pedir, que te encontrassem, te falassem de nós,
Gritei tantos nomes, um deles devia ser teu,
E até, como demente amante, pedi a brisa
Que levasse, com carinho, e empurrasse o eco
De minha voz chorosa e triste até onde estás.
Estou aqui te esperando, entre lembranças
Que não tenho, entre sonhos que ainda não sonhei
Te esperando chegar para... sonharmos juntos...
Se ainda tivermos tempo.


José João
26/08/2.017


terça-feira, 22 de agosto de 2017

Ah! Se todos soubessem o que é amar!

Como sinto pena daqueles que riem quando eu choro
Mas que nunca sentiram a alegria, mesmo triste,
De uma saudade, de buscarem momentos vividos,
De sorrirem sozinhos na terna loucura dos amantes
rsrsrs que parecem ridiculamente com gente que ama,
Que se entregam ao amar sem medo de lágrimas,
Sem medo dos amanhãs, e se tiver que chorar... chora.
Choro se a dor é maior que eu, mas por maior que seja,
Nunca será do tamanho do sentimento que senti e vivi.
Choro se a saudade insiste em me fazer chorar,
Aos amantes é permitido tudo isso, a eles, com certeza,
Só não é permitido não ter lembranças, não ter sonhos,
Não ter guardados na alma, beijos que nem foram dados,
Saudade de momentos que não aconteceram...
Também não é permitido que não viagem no caminho
Que o por do sol desenha no mar, estrada mágica
Que leva o amante além, muito além, até do tempo...
Que o leva onde apenas ele pode chegar. O amante
Caminha por estradas sem chão, sonha com os olhos
Abertos brincando de voar em horizontes distantes...
Sinto pena... de quem não sabem o que é estar vivo.

José João
22/08/2.017


Solidão

Solidão... sombra escondida na noite
A tomar conta do tempo, afagando tristezas,
Esgueirando-se pelas paredes, entre os vazios
Que um adeus deixou, fazendo que as lágrimas
Se atirem dos olhos e brilhem, mesmo na escuridão.
O silêncio se faz senhor, cada hora parece ser
A conta de um rosário para que a oração se faça 
Do tamanho da dor que a alma carente chora.
O pensamento corre buscando momentos
Que há muito se apagaram, buscando horizontes
Que nem existem mais, se perderam, se foram
Para onde nem os sonhos alcançam mais...
A saudade me vem, devagar, desde a alma,
Tímida, como se não soubesse a hora de chegar,
Tenta enxugar as lágrimas, traz alguns sorrisos
Que mesmo tristes insistem em ficar, brincar
De provocar os olhos que choram, como se eles,
Os sorrisos, não fossem como lágrimas também.
E a solidão... enche toda a noite e, paciente,
Espera o alvor do dia e... continua sendo solidão.

José João
22/08/2.017

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Nada de ti falta em mim

Ontem, me permiti, sem me importar com a distância...
Nem com o tempo, te trazer de dentro dos sonhos
Pra dentro de mim, te fazer minha, na plenitude
De um sentir, de uma entrega sem medo dos prantos
Que viriam, e assim me fiz teu, como se outra vez
Fosse sempre. Percebi que em mim tu estás completa,
Nada de ti falta em minha alma, com teu sorriso
Ela sorri, se perfuma com teu perfume, até os sonhos
Que sonhavas ela fez meus para sonhar por nós dois.
Me perco dentro de uma solidão que me cativa 
Ao te trazer com a saudade que até parece alegre,
Ainda que algumas vezes meus olhos, cheios de ti,
Sorriam em lágrimas que te escrevem em meu rosto.
Nada de ti falta em mim. Até o encanto dos detalhes
Que se fizeram eternos em cada momento nosso
Te trazem inteira a me cercar entre os devaneios
Que a alma insiste em, deles, fazer verdades.
Nada de ti falta em mim, as vezes me perco de mim
Para que me ocupes todo e me fazer completo

José João
17/08/2.017


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Um pedaço de tempo perdido

Minhas lágrimas parecem palavras tristes
Que os olhos gritam, caminham no meu rosto
Como se fossem histórias que a alma conta,
Se fazem poesias inacabadas escritas no vazio de mim.
Perdi os sonhos que sonhei, todos eles, foram levados,
Arrancados como se não tivessem sido meus.
Como sonhei! Sonhei com caminhos floridos,
Com noites de luar, numa terna solidão a dois,
Com sussurros de palavras que não precisavam
Ser entendidas... nem ditas! Com tudo isso sonhei!
Ah! Se eu soubesse que todos eles se fariam dor!
Ninguém disse que os sonhos, quando se vão,
Doem tanto, tanto que a saudade chega em prantos,
A solidão, num silêncio que grita dentro da gente,
Diz que chorar é uma oração, e os olhos choram...
Sem que se queira chorar e, viver (rsrs) viver ...
Se faz apenas um pedaço de tempo perdido
Que por mais que se queira... não se faz vida.


José João
14/08/2.017

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Detalhes... são como gotas de orvalho numa flor

A solidão ri em gargalhadas frias, de som estridente,
Quando a ausência se faz viva pelo adeus que foi dito,
E grita, sim, se a tristeza pergunta se pode chegar.
Fica a saudade na alma, nos olhos, o pranto e um vazio
Que toma tudo, até, algumas vezes, a vontade de viver.
A vida se espreme entre dores, entre angustias e medos,
Os amanhãs se perdem na noite mal dormida e triste,
E as poesias, escritas avulso, não precisam de beleza,
Para se fazer poesia apenas a dor precisa ser escrita
Para que não sufoque tanto um coração tão carente
Que pulsa pela teimosia de apenas pulsar, gritando
Em desespero e dizendo que blasfêmias são orações
De clamor pela tanta dor que a alma sente e chora.
E uma pressa de ir, sem saber pra onde, ou ficar
Sem ter onde estar, onde se estiver é a mesma dor,
São as mesmas lágrimas, o mesmo lembrar. 
É triste o vazio que a ausência traz, até os detalhes,
Aqueles despercebidos, com a ausência se fazem tão grandes
Que contam histórias que nem se percebia que fossem
Tão importantes, tanto que a saudade os traz primeiro,
E são sempre eles, que nos faz sorrir, mesmo tristes.
Detalhes...são como gotas de orvalho numa flor.


José João
11/07/2.017


Pra mim... isso ainda é amar.

Minhas poesias, por tanta dor de saudade,
Se fazem em versos perdidos, em rimas malvestidas,
Como fossem restos, trapos de tempo passando
Como fotografias desbotadas, sem brilho,
Pelos olhos da alma que se perde em tantos prantos.
Clamo, em rezas ou em cantos, que essa dor ...
Essa dor que tanto dói e aflige se faça menor
E, pelo menos, me deixe alguns retalhos de sonhos
Que, mesmo tristes, me permitam dizer que vivi.
Pedaços de tempo, de vida, de mim, se confundem
Em poemas silenciosos que a alma se recusa
Declamar, e em solene segredo se faz tão silêncio
Que até o pensamento se cala tentando ouvir.
Por vezes, um sorriso triste, como fosse lágrima
Que os lábios choram num fingido sorrir,
Me enfeitam o rosto e fico, demente, a perguntar
O que é dor, o que é saudade, o que é amar,
Sentir dentro de peito um pulsar convulsivo
Como se até o coração chorasse em prantos.
Para alguns isso é ridículo, para mim é ...
Amar, ainda.

José João
11/08/2.017

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Esperando acontecer

Na noite escura em choroso pensar
Buscando os sonhos que um dia sonhei
Me vem a imagem de um anjo mulher
Imagem que juro, juro, que nunca esperei
Mas chega impondo seu doce chegar
A dizer-me sorrindo que só a ela amei

Dou-me ao servir e a apenas calar
Me assento no tempo, silêncio contrito
Enquanto a alma num copioso chorar
Me deixa deveras, bastante aflito
E num furor que de onde vem eu não sei
Me toma e demente só blasfêmias eu grito

Me vem de longe, de um distante pensar
Uma história que, cheio de prantos vivi,
Foi um adeus tão doído que agora eu juro
Tão tormentoso que nego dizer que um dia senti
Mas marcas de lágrimas que ficaram no rosto
Não permitem que sobre essa dor possa mentir

Nos versos que canto, no pranto que choro
Nos poemas que escrevo completos ou não
Neles me ponho a contar uma história
Dessas que fazem vivo qualquer coração
De uma entrega que apesar de ser triste
É toda beleza e da alma, viver é a razão

Se nas noites escuras me dou ao prazer
De, na relva sentado, entregar-me ao tempo
Rezando orações que não sei de onde vêm
Mas pedindo humilde que lhes levem o vento
Mas ventos que vão não voltam jamais
Assim, escuto o silêncio e até me contento

Mas não hei de parar por aqui meu pensar
Nem hei de ficar apenas calado sem nada dizer
Vou deixar que a alma de pássaro se faça  
E em livre voar, em serenos volteios possa fazer
Que o tempo se dobre, se curve se entorte
E que possamos, eu e ela, nessa vida viver


José João
04/08/2.017


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Um dia te amei assim

Um dia te amei, te chamei de anjo, de mulher, 
Até de santa te chamei, nos meus sonhos,
Te carreguei no colo, fiz cantos e melodias
Para embalar teu sono, pedi à brisa leve da noite
Que te acariciasse pra eu te ver dormir.
Nunca, e nem poderia ir além de ser todo teu,
Me vesti com teu perfume para estar sempre
Contigo perto, te sentir, te viver, te rezar.
Fazer minha a tua alma e te sentir o sentidos,
Até te fiz meus sonhos, todos eles e...eu
Na plenitude de uma entrega, toda e plena
Onde eu me fazia nós. deixei que a alma 
Te guardasse como relíquia divina e de sempre,
Inventei sonhos novos e, em todos eles,
Tu, como única, te fazias mais e maior,
Apenas os sonhos eram meus porque tudo
Neles, e até mesmo o meu existir...
São todos essências de ti. Um dia te amei assim.

José João
31/07/2.017

sexta-feira, 28 de julho de 2017

A imperfeição do amor

Dizem que o amor é perfeito, é belo, é sonho, é magia.
Dizem que amar é sorrir, é a perfeição do existir...
Talvez eu não tenha amado, mas não foi o que vi
Me perdi em noites vazias, sentindo um triste sentir

Conheci saudades doídas, solidão que tão viva
Tinha a forma de dor! Tristeza de amargo travor 
Angustia que, nas noites... se fazia tão cativa...
Como tantos dizem ser cativo esse tal de amor

Me perdia nas noites, eram prantos, lembranças vãs
Era um ardume nos olhos um chorar sem querer
Era uma falta de tudo que até se fazia difícil viver

Não entendo e não sei, se foi amor, ou se só eu amei
Se me fiz de verdade, dessas que não se sabe dizer
Mas sei que entre os tantos vazios fui eu que chorei


José João
28/07/2.017

Como um anjo do além

Dou-me a ti, sem que nada te peça
Como se fosse minha alma a doar-se
Sem troca, por apenas querer ser tua
Toda e pura, e limpa, inocente e nua

Lavada em lágrimas por amor choradas
Mas imaculada, livre e solta ao tempo
Como pássaro que voou na invernada
Agora leve brinca volteando com o vento

Sou quem tanto te adora mas nada te diz
Que reza teu nome em silenciosa oração
Até poesias com anjos, pra ti eu já fiz!

Sou quem quem te sonha, até acordado
Nas noites de prazerosa insonia que vem
Te trazendo risonha como um anjo do além


José João
28/07/2.017

Essa saudade do que não sei...

 As vezes sinto um saudade tão descabida, sem razão, 
Tão sem sentido, que me invade, me toma, me rasga, 
Me deixa dentro de uma loucura demente, angustiante,
Onde até pensar dói. Minha alma, como se fosse
Um pássaro ferido, voa em direção de qualquer
Horizonte em desesperado voar, a esmo, sem rumo,
Aflita, gritando rezas paridas pela aflição de existir,
Com essa saudade doente, de momentos que não sei.
Que, ou se perderam no tempo, ou não existiram,
Talvez, por essa incerteza, a dor seja bem maior.
Não existe caminhos, por onde eu vá,  que ela 
Já não esteja, e grito, e choro, e me perco, e corro
Como se desesperadamente me procurasse.
Não sei de onde vem tanta saudade! Tanto sentir!
Invento canções, sonhos, poesias soltas, invento
Estradas sem chão, por onde possam vagar, livres,
Os pensamentos que se vão em busca da razão
Dessa saudade que não sei, mas não voltam... 
E, sem respostas, só resta chorar essa saudade
Que me dói, me toma, invade minha alma e... 
Não me dizem de quem.


José João
28/07/2.017

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Eu, poeta? Como se nem sei fingir?

As vezes, invento de ser poeta e me dou ao tempo,
Busco palavras que não sei, vazios que não sinto
Procuro rascunhos de vidas e a eles fico atento
Outras, são verdades, verdades minha e... eu minto

Quando brinco de inventar versos, de ser poeta,
De escrever dores que não sei dizer só sei sentir
Me proponho fazer de inocente a arte de mentir
Então não sei ser poeta, pra chorar não sei fingir

E me entrego sem pudor ao pranto que me vem
E deixo que desenhe caminhos em meu rosto
E me dou ao prazer, das lágrimas sentir o gosto

Fico inventando risos que chorem com meu olhar 
Mas lágrimas não deixam nos meus olhos um sorrir
Como então ser poeta se pra chorar não sei fingir?


José João
27/07/2.017

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Meus sorrisos... são prantos disfarçados

A mim, me basta apenas que a saudade me desperte
Em sopro leve, a levar-me a ti, ou a mim trazer-te,
Mesmo que em dor só lágrimas tristes ela liberte
Mas que a mim, me seja dado o prazer de reviver-te

Uma palavra, as vezes dita sem intenção de te buscar
Ou mesmo um sonho alheio que vieram me contar
São coisas que me fazem, porque ainda não sei,
Correr entre os tantos sonhos e só contigo sonhar

Que meus olhos, pelo pranto, deixem a alma devassada
Que gritem meu segredo em lágrimas ou em lamentos
Desde que, pra te, alma e coração sempre estejam atentos

E se um dia, chegando a saudade e eu não tiver chorado
Se meus lábios, nesse dia, em sorriso aberto se mostrarem
Não te enganes, é meu pranto em sorriso disfarçado

José João
26/07/2.017



terça-feira, 25 de julho de 2017

Sonhos fingidos...também são sonhos

A saudade grita nos meus olhos a dor que sinto,
As lágrimas, como gritos da alma, correm ao tempo,
Desde os olhos até o vazio que o silêncio da solidão 
Deixa ficar, como se fosse preciso para calar e chorar.
E no silêncio, que invade o tempo e toma o pensamento,
Tudo se perde como se nada mais tivesse para lembrar,
Mas a saudade, em desesperado pedir, gritava ao tempo
Que deixasse vivo, pelo menos, pedaços de sonhos
Que se penduravam em restos de memórias soltas
Que a alma insistia em deixar ficar, em deixar viver,
Para que a vida não se fizesse cheia de amanhãs vazios,
Sem recordações e sem lembranças dos ontens vividos,
Assim, a saudade, mesmo triste, mesmo dolorida,
Contaria histórias, se faria poemas, poesias e rimas
Consolando a alma, mesmo com fingidos versos alegres,
Cheios de inocentes mentiras que até poderiam
Se fazer sonhos novos enfeitando os amanhãs
Que, sem eles, serão tão sem vida, tão sem nada!
Tanto que, talvez, nem saudades deles um dia
Existam.


José João
25/07/2.017

domingo, 23 de julho de 2017

Sonhos, como é bom sonhar!

Correm nos meus olhos, soltos como o vento,
Sonhos que vagueiam no tempo, desde os ontens,
Buscando o que preciso. Vão entre os nadas,
Cruzam com a solidão, passam por tristezas,
Alguns se fazem poesias, outros se perdem 
No tempo, mesmo perdidos foram sonhos 
Que sonhei, e me passam nos olhos e se vão.
Sonhos novos, cheios de vontades e medos
Mas correm soltos porque sonhar é fazer-se
Vivo e sempre se há de buscar. Houve sonhos
Em que a dor foi maior, talvez não devesse
Te-los sonhado, mas ainda assim valeu a pena,
Me mostram que a dor passa, vem a saudade,
O tempo e outra vez os sonhos e a vontade
De vivê-los, e uma euforia toma conta da alma
Que se alvoroça toda, se lava nos prantos
Que chorou, se deixa pura, transparente...
E entra no sonho novo e vai toda contente
Como se adeus não existisse. São os sonhos
Que nos faz perder o medo de amar...
Se choramos... criamos sonhos, ou até...
Fingimos sonhar e... inventamos outra história.

José João
23/07/2.017

sábado, 22 de julho de 2017

De onde vêm as poesias que faço?

As vezes, sozinho, me pergunto em silêncio
De onde me vêm essas poesias que faço?
E sem respostas, murmurando, me digo
Talvez de um anjo poeta, solto aí no espaço.

Desses anjos que, pacientes, ensinam amar,
Escrevem no tempo divinas histórias de amor
Fazem delas belos sonhos, lindos de se sonhar
E a bem da eternidade faz a saudade chegar

Talvez um anjo poeta brincando de me falar
De saudade, de prantos, de dor, do seu chorar,
De  angustias que sente e que não pode contar

Anjo que, da minha modesta alma, pede a voz
E grita poesias que me vêm sem que eu peça
Assim me permito, humilde, me chamar de nós.


José João
22/07/2.017


sexta-feira, 21 de julho de 2017

Talvez amanhã escreva uma poesia.

Não sei porque as palavras estão fugindo de mim,
Os versos se escondendo, as poesias correndo 
Por entre as lágrimas sem se fazerem poesias.
Os sentimentos parecem perdidos, confusos,
Fazendo dos pensamentos apenas sombras
Que se escondem num silêncio que não escrevi.
O papel se deita em minha frente, o lápis...
E uma borracha, do tamanho de uma imensa
Tristeza, dessas que não apagam palavras,
Mas apagam sonhos, apagam vontades,
Até  mesmo a vontade de se buscar momentos 
Que um dia vividos, cheios ainda de sentido,
Tentam ficar dentro de nós lembrando sempre
O que fomos um dia. Hoje, os versos, as rimas
Se perderam no tempo, ou dentro da alma,
As poesias, como se escrevessem o vazio de mim,
Ficaram silenciosas, inertes, nem se fazerem, 
Pelo menos, poesias inacabadas, que fossem.
Nem fragmentos de mim quiseram ser hoje...
E por tanto, peguei saudades, tristezas, angustias,
Até a solidão, pus dentro de uma gaveta e...
Quem sabe amanhã escreva uma poesia?!


José João
21/07/2.017

Hoje é tão fácil dizer: te amo!

As vezes me perco em pensamentos distantes,
Em sonhos já quase perdidos para fugir da dor de agora,
A saudade do que fui, mesmo angustiante, ainda dói menos.
Meu medo, o temor do que não quero sentir, se faz forte,
Por mais que tente ver, sentir, viver o que gostaria de ser
Parece tudo muito distante, perdido no vazio do tempo.
Meus sentimentos se alvoroçam, vem a vontade de amar
E a alma se faz viva, se faz desperta para entregar-se,
Mas se esconde dentro da incerteza, desse medo 
Que se sente quando as palavras ouvidas nada dizem.
Um, eu te amo, quando não é dito com alma, um dia
Se faz angustia, depois tristeza, e... depois, nem 
Se faz saudade se faz decepção e dor, muita dor...
Queria apenas sentir a saudade do que já fui,
Saudade de mim mesmo, até dos arrependimentos
Do que não fiz, sinto saudade, bem mais doida,
Mas hoje a dor é maior, é sentir-se que o falar
Não é verdadeiro, que o olhar não busca a alma,
Só vai até ali, onde é tão fácil chegar... lugar nenhum
Porque não existe amar, só um mero querer.

José João
21/07/2.017

O beija-flor

Havia um beija-flor sempre alegre em meu jardim, 
As vezes, juro, me olhava sorrindo e como
Uma estrela cadente aqui perdida, voava
Tão rápido que nem levava meu pedido,
E ele se perdia aqui mesmo, bem perto de mim.
As vezes meu beija-flor brincava de pousar
Nas flores, me olhava e, sempre risonho,
Parecia  me mostrar como beijar, tão carinhoso,
Tão leve, tão meigo, tão divino que as vezes...
Vejam minha loucura, jurava que era um anjo.
As flores, quando ele chegava, se alvoroçavam,
Até se enfeitavam, pediam para a brisa
Lhes luzir as pétalas, pediam para  o sol 
Lhes deixar mais brilhantes, e dançavam 
Ao som do vento sob o olhar doce e meigo
Do beija-flor, (pretensioso) do meu beija flor.
E ele, como se num ritual, ia em cada uma delas
E lhes beijava suavemente a todas, e elas,
Num despertar de sonhos, pareciam desfalecer
Tanto a emoção. Mas um dia, meu beija-flor
Nunca mais voltou, as flores ficaram tristes,
E choramos juntos. Nunca mais soubemos dele
Só ficou a saudade ...acho que seu nome era, Amor.


José João
21/07/2.017

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Ontem, queria apenas sentir saudade.

Ontem escrevi versos que não queria escrever...
Só queria sentir a saudade que sentia, apenas isso.
Buscar sonhos a tanto sonhados, momentos que vivi
Na plenitude de uma entrega em que até a alma
Se entregava toda e plena, sem reservas e sem medos.
Ontem queria apenas não fazer nada, só pensar,
Sentado na frente de mim mesmo, mas ... percebi... 
Eu era o único que poderia se ocupar de mim,
Então escrevi versos tristes de histórias que perdi
De viver. Me entreguei aos ontens e aos amanhãs,
Esfreguei as mãos como se uma fosse de um amigo,
Me encostei no meu ombro e chorei, e fiz versos,
E me escrevi sem rima, com palavras soltas, perdidas,
Cheias dos vazios que nem percebia existirem.
Me fiz versos incompletos, versos rasgados, rotos,
Soltos pelo tempo indo sem me levar, apenas indo.
Eram poesias sem alma, mesmo cada palavra
Doendo como fosse um açoíte perverso da solidão
Que riscava os versos cheios com minhas lágrimas.
Ontem, escrevi dores que não queria escrever.
Queria apenas sentir saudade...

José João
19/07/2.017


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Me deixaram só

Me deixaram só... a solidão tomou conta de mim
Chegou toda e plena, escolheu onde ficar e... ficou.
Até o silêncio se fez mais denso. mais profundo,
A casa foi toda invadida de vazio, de ausência...
A alegria saiu aos prantos pela porta dos fundos,
E a tristeza, companheira inseparável da solidão, 
Com um sorriso irônico, me olhou nos olhos,
Como se quisesse chegar em minha alma...
Umedeceu-os, sem cerimonia, e gritou mais alto
Que qualquer palavra, mandou que meus olhos
Chorassem e... choraram, primeiro lágrimas,
Que escorreram lenta e timidamente pelo meu rosto...
Depois prantos, que se fizeram sussurros da alma
Como pedidos de clemência. Não sei se é dor
Ou saudade, talvez nem seja, talvez seja
Só mesmo dor, essa dor que doí quando tudo
Parece tão nada, quando a voz se faz soluço,
Quando se clama por um sorriso e não se tem,
Quando se insiste em não chorar mas...
A vontade é mais forte, afinal, são ordens
Da solidão, da tristeza, da angustia e da...
Ausência... me deixaram só.

José João
13/07/2.017

terça-feira, 11 de julho de 2017

Em nós, a eternidade começou agora

Sonhos... já sonhei tantos, alguns vivi intensamente,
Outros foram apenas sonhos, alguns se perderam
No tempo, outros ficaram como sombras em vazios
Que se fizeram entre angustias, solidão e o nada.
Mas de todos os que vivi, um se fez mais, muito mais...
Se fez vida, se fez verdade, tão intenso que, hoje,
Se faz essa saudade que me acalenta a alma, me deixa
Desperto, ainda me faz sentir as lágrimas fazendo
Da saudade passageira, indo buscar no tempo,
Momentos que, depois de tanto tempo, parecem
De ontem como se a eternidade começasse agora.
Um sonho e nós como se fossemos apenas um
Quando éramos dois, agora, sozinho, sonho
O mesmo sonho por nós dois, tanto estás dentro
De mim, de minha alma, que esta te deu ternamente
O mais confortável espaço que guardamos só pra ti.
De dentro dela, te ouço o murmurar doce e sereno
A dizer-me: ainda estou aqui. Choro ao te ouvir
Me dizer no silêncio dos amantes que ainda sou teu,
Como se a eternidade começasse agora... Vida

José João
11/07/2.017


Amar... sempre vale a pena.

Não me lembro de alguma vez ter amado pouco,
Sempre me entreguei, intensamente, todo e pleno,
Sempre fiz do amar um oceano, límpido, puro,
Um mar diferente, cheio de lindas estrelas,
Flores, beijos, carinhos, palavras cheias de zelo,
Belos sentimentos. Um mar, onde mergulhava 
Sem medo, nos sonhos coloridos e risonhos,
Nos olhares cheios de ternura que gritavam
Te amo, na certeza de que cada amanhã seria
Maior a vontade de ser mais, ser mais completo.
Sempre amei assim, como se viver fosse isso.
Não me lembro de alguma ver ter chorado pouco,
Sempre me entreguei, intensamente, todo e pleno
Sempre fiz do adeus, das despedidas um oceano
De lágrimas de prantos, um mar diferente
Cheio de estrelas cinzentas, caídas como fossem
Pedaços de dor. Um mar onde se mergulha
Na saudade que fica como doloridas lembranças,
Cheio de solidão, de silêncio, onde as carícias
Se perdem e se vão se como sombras mortas.
Não me lembro de alguma vez ter amado pouco,
Ter chorado pouco,ter sofrido pouco... mas
Opa! Acho que estou amando outra vez... 
Vale a pena.


José João
11/07/2.017


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Viver, o outro nome da saudade

Quantas vezes tomaste minha mão e seguimos juntos!!
Nossas almas, como apenas uma, sonhavam 
Nossos sonhos, brincavam de se fazerem gêmeas 
Num só sentir, num só falar ou ouvir coisas 
Que nossos corações confessavam nas noites, 
Quando nós dois, em nossa doce e terna solidão
Brincávamos, sentados na relva, de fazer inocentes 
Pedidos às belas e misteriosas estrelas cadentes,
E elas, coitadas, se confundiam pelos pedidos
Serem tão iguais. Nunca soubemos se fomos
Atendidos mas por tudo que vivemos... ...
Quantos por do sol! Outra vez, em terna, doce
E plena solidão brincávamos de dar nome
As nuvens, de inventar nomes para suas cores,
Tão divinas, tão suaves a flutuarem leves!
Quantas vezes tomaste minha mão e caminhamos
Pela areia branca sentindo a brisa cantar canções
Que só ela sabe os acordes e as melodias,
Quantas vezes pegaste minha mão, com carinho,
Para me ajudar seguir ... mas hoje sei que era
Tão pouco, tanto que nessa saudade que sinto,
Essa que deixaste, me tomaste a vida... porque
O outro nome dessa saudade é...viver.


José João
06/07/2.017


Mas... o mais importante é amar

As vezes, em descabidas lembranças, me vêm,
Não sei de onde, beijos que nunca recebi...
Amores que nunca vivi e saudade do que não sei.
As vezes me perco entre sonhos que não sonhei
De momentos que não lembro ter vivido.
Mas chegam tão intensos, tão cheios de mim
Que, dentro deles, me faço eu, todo e pleno.
Flutuo por horizontes distantes que nunca vi, 
Sigo caminhos que meus pensamentos criam,
Sentindo o gosto do vento, das flores...
Ouvindo, num divino silêncio, as flores 
Contando a história de suas pétalas e perfumes,
Outras chorando por não ter o cheiro de flor,
Assim como se fossem pessoas, algumas
Se fazem vivas no amor que sentem e vivem,
E deixarão no tempo sua história e existência,
Outras, coitadas, sem saber o que é o amor,
Se fazem flor sem perfume, sem se fazerem
História, ficarão, coitadas, no tempo esquecidas.
Assim, essa a saudade doída que sinto não sei de quem
Me faz pensar, que, pelo menos, amei intensamente,
Sei o que é o amar, mas quem amei...não sei.


José João
06/07/2.017


quarta-feira, 5 de julho de 2017

Que pena! Sou apenas gente!



Ah! Como invejo os artistas! Pintores, poetas,
Escultores, compositores. Um dos meus pecados:
A inveja. Os pintores, seus pincéis e sua paleta mágica,
Em que misturam suas tintas e, como milagre, 
Nos quadros que pintam, mostram a própria alma.
Os poetas, esses então! Fingem gargalhando
Que não é deles a dor que choram nas poesias!
Fingem tanto que enganam a si mesmos, até dizem
Que as lágrimas que choram são risos que os lábios
Não souberam sorrir. Os escultores e o cinzel mágico!
Pegam a pedra inerte, dura e fria e lhe corta,
E  lhe sangra as mãos e com seu sangue lhe dá
Um pedaço da alma nos olhos risonhos da pedra
Esculpida e, ali, se faz eterno como sua criação.
Os compositores! Aprendem até a ouvir o silêncio!
Dele tiram notas que só os divinamente loucos
Podem ouvir e, com as mãos,  traduzir em acordes
Que se vão como fossem sonhos, inocentes anjos
Passeando na alma de quem ouve. Esses divinos
Artistas!! E eu!? Apenas seguro a paleta do pintor,
Dou o lápis para o poeta, busco a pedra do escultor
E, do compositor, faço de seus acordes lágrimas
Para chorar minha saudade... não sou artista...
Sou apenas gente.

José João
05/07/2.017


terça-feira, 4 de julho de 2017

Cada adeus é uma dor

Adeus! Quantos por mim foram ouvidos!
Quase todos eles foram sentidos... chorados,
Alguns até agora eu choro como se fossem
Ditos ontem. Ouvi muitos adeus por partir...
Outros por ficar, mas todos doloridos...
De alguns a saudade se faz prazer em sentir,
De outros, os olhos se encharcam em prantos,
Gritam desesperados, se perdem no vazio
Das lembranças que insistem em me dizer
Que a solidão existe, que a tristeza é viva
E que a dor da ausência é a alma que sente.
Tem adeus que, mesmo depois de tanto tempo,
Me acompanham nas noites, se fazem poemas
Molhados de lágrimas, poesias inacabadas
Porque a saudade se faz de tudo, até de vida
Mas há sempre um adeus que dói mais que todos,
Que até as lágrimas ficam mais frias, mais tristes,
É aquele adeus que não se queria ouvir,
Mas quando dito, a alma sente tanto desespero
Que orando, no rosário que reza, as contas são 
De lágrimas.


José João
04/07/2.017

Eu, a brisa e nossas lágrimas

No silêncio que o vazio da solidão deixa no tempo,
Quebrado apenas pelo sussurro de uma brisa que,
Em notas soltas, em sustenidos breves de acordes
Desconhecidos, parece chorar a mesma dor que sinto,
E uma nota mais grave, parecendo um amargo soluço,
Voa desesperada como se quisesse traduzir
Toda minha angustia é, como se fosse da brisa,
Um lágrima de minha alma que, calada, murmura
Desafinada a canção que o vento canta fazendo dela
Uma oração rezada aos gritos suplicando o milagre
Para que a dor não seja tanta, mesmo que a saudade
Se faça plena, me tome todo, me faça aos prantos,
Mas que não doa tanto como essa tristeza que se faz
Viva como se nada mais fosse preciso pra viver.
Me atiro a esmo em busca dos sonhos que já sonhei,
Ou mesmo outros sonhos ainda não sonhados
Que me permitam, pelo menos, fingir viver 
Momentos nunca antes vividos, mas que se façam
Pedaços de mim como se fossem verdadeiros,
E assim me perco dentro de uma saudade
Que se faz de sempre, uma sombra de mim mesmo
Vagando sem ir a lugar nenhum.


José João
04/07/2.017

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Uma saudade para sempre

Meus sonhos se fazem saudade quando lembro de nós,
E assim, tu fucas  como se nunca tivesses ido,
Aí então, meus olhos, se emprestam a alma
E num incessante piscar, como se estivessem
Batendo palmas para a saudade se enchem de prantos
Que, em meu rosto, deslizam leves como fossem
Carícias me enganando, dizendo que são tuas mãos
A procurarem meus lábios que, em soluços tristes,
Balbuciam teu nome, num terno dizer: te amo.
Um torpor toma conta de mim, no peito. batendo forte,
O coração dispara, como se esse incoerente pulsar
Fosse orações gritadas para a dor não doer tanto.
Para tua ausência não se fazer de tanta angustia...
Para que a tristeza dê um tempo e a solidão
Não traga esse tão dolorido  e mórbido silêncio.
As lágrimas, voz entristecida da alma, caem
Avulsas, sem nenhum pudor, sem que eu queira,
Porque essa saudade de te, esse sentir tua falta
Está muito além de mim...está na eternidade
Da própria alma, como se fosse seu destino,
Sentir essa saudade para sempre

José João
03/07/2.017

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